Havíamos visitado Barcelona pela primeira vez em 1998, em um tour pela Europa, bem antes de mudarmos para Nottingham, no Reino Unido, onde hoje residimos.
Desta vez, nos primeiros dias de junho de 2019, Barcelona foi a segunda etapa da viagem, depois de termos visitado o Principado de Andorra. Deixamos para visitar a capital da Catalunha no retorno do passeio de Andorra porque era onde ficava o aeroporto mais próximo daquele Principado. E também porque, dali, pegaríamos nosso voo de retorno para a Inglaterra.

Procedentes de Andorra, chegamos na estação de ônibus Barcelona Sants e pegamos um metrô até a localidade de Santa Coloma, Sede do nosso hotel Ibis. Compramos nas máquinas 10 tickets de transporte público, por 10,45 euros. Até chegarmos no hotel Ibis Santa Coloma, onde nos hospedamos por 2 noites, levamos 30 minutos de metrô e mais 10 minutos de caminhada. Santa Coloma é uma cidade satélite de Barcelona, bem agradável, com muitas padarias, bares e restaurantes. O hotel era gigantesco, daqueles que você não enxerga o fim do corredor. Ainda neste dia fomos até a Praça da Catalunha para visitar a avenida Las Ramblas. Mas, antes, decidimos visitar a tal Barceloneta.
Barceloneta, bolsa Luiz Vitton é mato…
Barceloneta é a avenida mais famosa da cidade, à beira-mar de Barcelona, e foi uma dica da recepcionista do hotel. Antes de sair ela gritou: “aproveitem, mas cuidem das bolsas”. A sensação era de que estávamos no Brasil. Pegamos o metrô e descemos na estação mais próxima de Barceloneta (Linha Amarela) e fomos em direção à praça. Essa área foi toda remodelada por ocasião dos Jogos Olímpicos de 1992 e trata-se de um dos espaços mais famosos da cidade. Além de um calçadão maravilhoso, tem praças arborizadas e várias áreas de lazer bem na beira da praia.
Mas qual não foi a nossa surpresa ao encontrarmos, bem na frente da marina e do Museu de História Natural, uma área gigantesca de camelôs vendendo bolsas, cintos e outros “badulaques”, imitações perfeitas das melhores grifes europeias.

Dali, seguimos pela orla até o Hotel “W”, uma impressionante estrutura em forma de vela ao lado da Praia de Barceloneta, oferecendo um design de tirar o fôlego e uma vista fantástica a partir da praia de Barcelona.

Saindo da praia, pegamos um ônibus e fomos até a Praça Catalunha completamente cheia de pombos e turistas.

Las Ramblas, o charme de Barcelona
No final da tarde, andamos pela Las Ramblas, que é uma avenida de 1,2 quilômetros de extensão no centro de Barcelona. É o único lugar que todos são obrigados a passar quando vão visitar a cidade. A parte central da avenida é somente para pedestres. O percurso da rua se estende da Praça Catalunha até o Monumento de Colombo. A avenida começou como um pequeno rio que corria para fora das muralhas da cidade. Numa cidade onde as ruas são bastante estreitas, Las Ramblas é larga e muito charmosa e divertida.

Os edifícios históricos ao longo de La Rambla incluem o Palau de la Virreina e o Mercado Boqueria. Você vai encontrar muitas atrações turísticas ao longo da Rambla como o Museu de Cera e o Museu Erótico, bem como artistas de rua que vendem suas pinturas, lojas de souvenirs e bancas de revistas que vendem ingressos de shows. Mas o que nos incomodou mesmo, foi a primeira dica do hotel e que permaneceu nas nossas mentes pelo resto da viagem: “cuidado com as bolsas”. Andávamos com certo receio na rua. Jantamos um buffet ótimo na Rambla 98, que custou 13,95 por pessoa com direito a diversos tipos de paellas, queijos, tapas, saladas, massas e uma sobremesa e assistimos a um conjunto de voz e violão de dois jovens, uma cantora italiana e um violinista cubano.

Mas, afinal, o que são as famosas “tapas”…
Por onde andávamos nas Las Ramblas vinha o convite dos restaurantes, o “melhor Tapas de Barcelona é aqui”. Mas aí ficamos nos perguntando, afinal, o que é um verdadeiro “tapa” espanhol… São petiscos, canapés ou pequenos aperitivos sem muito conceito ou receita, cada um serve o que acha que pode e cobra o que o povo pode pagar. Não há realmente uma resposta definitiva, pois depende para quem você pergunta. Na Espanha, as tapas podem incluir praticamente qualquer coisa: de um pedaço de atum, um coquetel de cebola e uma azeitona espetada em um longo palito, até linguiça quente de chorizo servida em um prato de barro, a uma bochecha de carne cozida lentamente com um purê de batata doce. As tapas são servidas dia e noite em bares e cafés em toda a Espanha.
Era o dia de andar de ônibus…
O dia seguinte começou com o café do Hotel Ibis, que foi majestoso, com direito a tudo, como diversos tipos de pães, iogurtes, sucos, cafés, frutas e até a famosa tortilla de batata. O dia foi muito quente, o sol estava torrando. Pegamos o metrô e fomos em direção à Praça Catalunha e pegamos um ônibus turístico de dia inteiro (City Sightseeing), pagando 32 euros cada. O ônibus estava completamente lotado. Paramos em poucos lugares, até porque nosso objetivo era somente passear pela cidade.

Um dos lugares que descemos foi na Igreja Sagrada Família, ponto de ônibus 4 (Linha Azul), e ficamos surpreendidos com a quantidade de turistas no local, parecia um “formigueiro”. A bela catedral projetada por Antoni Gaudi, com 8 torres que oferecem vistas de tirar o fôlego da cidade a “Torre de Babel”, conto bíblico. Foi muito engraçado quando encontramos uma senhora para tirar uma foto. Ela levou quase meia hora para enquadrar as torres da igreja e, ao mesmo tempo, livrar os turistas da nossa frente. Acabou nos dando uma aula sobre como tirar fotos.
Outra cena hilária foi o áudio do ônibus, que “pedia” para todos entrarem na igreja e pagarem o ingresso, uma vez que Gaudi deixou a igreja inacabada. Comentou que não era somente católica, mas de todos os credos e que era necessário pagar para entrar para ajudar a terminar a obra.

FC Barcelona e o seu Camp Nou
Pegamos o ônibus de volta e descemos junto ao famoso Camp Nou, estádio que pertence ao clube de futebol Barcelona, também conhecido como Barça.

O Camp Nou é um dos maiores estádios privados de futebol do mundo, com capacidade para cerca de 99 mil espectadores. O estádio fica lotado em praticamente em todas as partidas, tamanha é a paixão dos torcedores pelo time, que conta com Messi como seu principal jogador do futebol. Trata-se de um complexo de visitação grande, com centenas de visitantes a cada dia. A maioria não entra no estádio, mas sim anda em volta da arena, tira fotos, entra na loja para comprar alguns souvenirs e vai embora. Para entrar no estádio, o ingresso era de 21 euros. Achamos que o valor não estava adequado, uma vez que, por exemplo, para entrar no estádio do Bayern de Munich, na Alemanha (outro famoso, em uma viagem anterior), pagamos a metade deste preço. Na realidade, todos os estádios têm o mesmo tipo de visitação, como as bancadas, o campo, o vestiário do lado de fora, o túnel, a sala de imprensa, a zona mista, a entrada no campo e o Museu de troféus do clube. Além disso, o complexo de visitação tem lanchonetes de boa qualidade e acabamos por comer uma salada e uma cerveja cada um, ao custo de 30 euros para os dois.
L’Aquarium, um gigante, mas precisa de um dia inteiro…
Seguimos de ônibus e fomos até o L’Aquarium, um dos maiores da Europa, com aproximadamente 35 aquários e 11.000 animais de 450 espécies. Também não entramos, simplesmente porque era quase 5 horas da tarde e não teríamos tempo suficiente para fazer a visita. O Museu L’Aquarium custava 19 euros, e deu para perceber que Barcelona não é nada em conta para turistas. Entramos bem ao lado, no shopping, e seguimos novamente para a Barceloneta com o ônibus do City Sightseeing.
Mercado de la Boqueria…
Descemos na Praça da Catalunha, seguimos para Las Ramblas e fomos fazer uma visita ao Mercado de la Boqueria (datado de 1217), onde pudemos observar o grande cenário de gastronomia, sabores e cores do Mercado Público. Vimos dezenas de turistas comendo nos pequenos restaurantes, se deliciando com os famosos “tapas”, acompanhado de cervejas espanholas.
Era dia de voltar…
No dia seguinte, era hora de retornar. Pegamos o metrô até a Praça Catalunha e um ônibus até o aeroporto, pagando pouco mais de 5 euros. Pegamos nosso voo, chegamos em Nottingham, pouco mais de 2 horas depois, com chuva e frio. De volta à realidade do clima britânico.
Enfim, foi a segunda visita à capital da Catalunha e valeu muito a pena passear de novo por esta cidade famosa e encantadora.