As ViagensAndorra, um Principado Chique nos Pireneus, entre a Espanha e a França

Andorra, um Principado Chique nos Pireneus, entre a Espanha e a França

Saímos de manhã cedo de Nottingham pelo aeroporto de East Midlands (aeroporto regional que fica em torno de meia hora de Nottingham), para viajar entre o final de maio e o início de junho de 2019. Um táxi do nosso endereço até o aeroporto custa em torno de 25 pounds, e é uma tranquilidade sair de um aeroporto próximo a tua cidade.

A passagem é barata, mas tem que esperar o avião chegar.

Embarcamos na Ryanair e tivemos que rir, pois nestes transportes de baixo custo, principalmente no verão, é um sobe e desce tão grande, que sai uma turma de passageiros e já entra a outra, mal dá tempo de recolher o lixo dos bancos. Tivemos que esperar a aeronave chegar com passageiros vindo de outro lugar para embarcar para o nosso destino de passagem, Barcelona, com 40 minutos de atraso. Aproximadamente 3 horas depois estávamos chegando no Aeroporto “La Plata” (principal aeroporto de Barcelona e da Região de Catalunha, na Espanha) e também o mais próximo do nosso destino final, o Principado de Andorra. Foi um voo tranquilo, com direito à famosa “musiquinha” de chegada da Ryanair. A fome bateu, mas a gente sempre esquece que se deve evitar de comer em aeroportos, sempre é o dobro do preço (até hoje não descobrimos o motivo, afinal é o lugar que mais circula gente no mundo!), e a explicação mais plausível é porque os alugueis dos negócios são muito caros. Descemos, comemos um lanche daqueles de sempre nos aeroportos, caros e nada nutritivos, mas, neste caso, até que não foi dos piores; comemos um pedaço de pizza vegetal, duas saladas e dois sucos de laranjas por 28 euros. Sabíamos que teríamos um longo trecho de ônibus pela frente e lá pelas 3 e meia da tarde pegamos um ônibus para Andorra. O terminal de ônibus que vai para aquele país fica quase em frente ao Aeroporto e os tíquetes custaram 34 euros cada. Bem, o ônibus circulou pela cidade de Barcelona, por quase 40 minutos, e fomos até o terminal de ônibus Barcelona Sants. Estávamos curiosos para saber como ia ser a imigração para Andorra, já que é um país independente dentro da Espanha. O motorista solicitou que um de nós pudéssemos sair do ônibus com os passaportes e fazer a imigração na própria loja da empresa, lugar onde vendiam as passagens para Andorra-la-Vella ou Andorra-a-Velha (capital de Andorra).

Nossa curiosidade…

No nosso planejamento de viagens, tiramos o ano de 2019 para continuar conhecendo os Principados da Europa. Já tínhamos ido a Mônaco e Luxemburgo e era a vez de conhecer Andorra. Na nossa concepção, Principados são pequenos territórios no mundo, governados por Príncipes, diferentes dos Reinos, que são governados por Reis. Só que Andorra era completamente diferente e fomos descobrir depois, através de uma palestra que assistimos dentro do Parlamento de Andorra.

Andorra fica no meio das montanhas dos Pireneus.

O país é pequeno, mas para chegar lá tem que subir 1.023 metros…

Só para elucidar que Andorra é o 16º menor país do mundo em extensão de terra e o 11º menor em população. Tem como atravessar o país de carro em questão de menos de uma hora. São apenas cerca de 40 km de carro de um lado do país para o outro. A população total de Andorra é de cerca de 78.000 habitantes, incluindo cidadãos e residentes. O que é ainda mais chocante é que, apesar de seu pequeno tamanho, a grande maioria das moradias, casas ou edifícios está localizada nas rochas, nos vales, porque grande parte da terra é montanhosa. Só para ilustrar, que o idioma catalão é falado em regiões da Espanha, pedaços da França e um pedaço ainda menor da Sardenha. No entanto, Andorra é o único país que usa o catalão como língua oficial. O trajeto até Andorra-a-Velha foi especial, pois o ônibus, além de confortável, com banheiro e wi-fi, tinha teto solar, janelas panorâmicas, permitindo curtir a subida até a capital de um jeito muito especial, com vista para muitos rios, vales, montanhas e várias paisagens de “cartão postal”, com pontes de pedras, começando a se enxergar a cadeia montanhosa dos Pireneus.  Andorra-a-Velha é a capital mais alta da Europa, com uma altitude de 1.023 metros (3356 pés), não havendo capital com maior elevação em todo aquele Continente. Na realidade, é a décima cidade mais alta da Europa e tem uma população de 22.886 habitantes na parte urbana, que inclui a cidade de Escaldes-Engordany (a qual fica ao lado), e mais as cidades na área de entorno somando aproximadamente 40.000 habitantes. Interessante lembrar que o país é um dos mais longevos do mundo, com população na média de 82 anos de idade. Ah, e, por último, o país tem regras de residência muito rígidas, para iniciar, o candidato a morador tem que provar que ganha 37.814,40 euros anuais.

A policia aduaneira fez a revisão dos passaportes dentro do ônibus.

A polícia aduaneira é bem esperta…

Seguimos pela estrada, ônibus muito bom, confortável e com banheiro. Na estrada já se tinha ideia das montanhas rochosas que iríamos encontrar pela frente. Começamos a subir e quase 3 horas depois, passamos pela polícia aduaneira. Os policiais uniformizados entraram no ônibus e deram “uma geral”, olharam os passaportes e mandaram o ônibus seguir viagem.

Somente é possível chegar por via terrestre…

É ilusão achar que se chega de trem em Andorra-a-Velha, todos os acessos são por estradas sinuosas excelentes, especiais para carros, ônibus e motos. E o aeroporto mais próximo é o de Barcelona. Chegamos e um frio de montanha tomou conta da gente. O país e a cidade de Andorra-a-Velha literalmente estão inseridos no meio das montanhas.

A cordilheira montanhosa dos Pireneus Orientais.

Mas qual o nome da cadeia de montanha que cerca o Principado de Andorra…

Chama-se cordilheira montanhosa dos Pireneus Orientais, constituindo-se de uma cordilheira limitada pela Espanha e pela França, sendo que Andorra fica entre elas. O país tem 468 km², e se enxerga montanhas por todos os lados. Só para entender, Andorra é um país formado por montanhas, em seu relevo há 72 picos, alguns com mais de 2000 metros de altitude. A montanha mais alta chama-se Comapedrosa, com aproximadamente 2.942 metros, e o ponto de menor altitude do território de Andorra, localizado na confluência dos rios Runer e Valira, fica quase junto à fronteira com a Espanha, a 838 metros de altitude.

E no meio da cidade tem um rio, Gran Valira, que vem das montanhas.

E tem um rio que vem das montanhas e que atravessa a cidade ao meio…

A estação de ônibus ficava em cima de uma ponte, meio que suspensa em cima do rio que corta a cidade e que se chama Gran Valira; as águas desse rio descem da montanha em duas partes e se afunilam na forma de um “Y”. O nosso hotel era próximo, mas ao colocar o endereço no meu celular, começou a primeira surpresa, não tinha wifi. Ficamos surpresos, pois um dos nossos celulares era 5G e com cartão Vodafone, que pega em toda a Europa. Mais tarde ficamos sabendo, através de uma empresa telefônica de Andorra, que no país não tem wifi grátis nas ruas, somente pagando. A moça foi bem taxativa: “nós não pertencemos à Comunidade Europeia, se quiser wifi tem que pagar uma taxa de 30 euros”… glup!!

Continuando, pegamos um táxi e fomos para o Sant Jordi Hotel, a acomodação que escolhemos para ficar em Andorra-a-Velha. Escolhemos via site do Booking.com e pagamos 141 euros por 4 noites com café da manhã. O táxi custou 6,75 euros, a distância da estação de ônibus até o hotel era uma barbada, mas era “morro acima”. O hotel era simples, mas confortável com uma vista incrível para as montanhas. Bateu a fome e, por indicação da recepcionista do hotel, uma portuguesa muito simpática que estava morando há muito tempo em Andorra, fomos jantar no Barzinho Cal Sinquede (Praça Guillemo 1) e foi uma delícia em todos os sentidos: comemos 2 empanadas ao estilo argentino (que glória!), 2 tapas à base de presunto com ovos chamado “ous al plat amb per” e uma garrafa de vinho dos Alpes dos Pirineos, tudo por 29,40 euros. Realmente comer fora da Inglaterra é uma delícia!

As empanadas de presunto e queijo tinham um gostinho argentino.

E na comida tinha uma pitada de gosto argentino…

Para quem lê um pouco de história, a Argentina é uma antiga colônia espanhola, então a língua oficial é o espanhol. Enfim, as empanadas de presunto e queijo que comemos estavam com gostinho argentino. Por um momento nos deu uma saudade de um boteco argentino localizado em Porto Alegre (nossa terra), de nome de El Farol, que serve uma empanada muito semelhante. Que delícia!


Andorra, um paraíso das compras…

No nosso segundo dia, após um ótimo café da manhã no hotel, fomos conhecer um pouco da cidade de Andorra-a-Velha. Parece uma “boutique a céu aberto”, com tantas lojas de grifes. Descemos pela Avenida Meritxell, uma das principais ruas da cidade. Paramos no Shopping Pyrenees Andorra, queríamos um livro de receitas espanhola de tortillas e paellas. A cidade é muito procurada para o turismo de compras porque tem ruas comerciais com mais de 2000 comércios de todos os tipos, mas o que se destaca é a compra de perfumes, cigarros e bebidas alcoólicas. O limite de compras é de 900 euros por pessoa. As compras se estendem também às cidades em volta de Andorra-a-Velha, como em Escaldes-Engordany e Santa Juliá de Loria.

Os casarios de pedra cativam os visitantes.


Os casarios de pedra encantam a cidade…

Nossa primeira parada foi na Praça del Poble que fica próxima à Igreja San Esteve. Ao andar pela Avenida Meritxell, se vislumbra ao fundo as montanhas, em contraste com os casarios de pedra o que dá um ar mágico à cidade…

A Praça que é o telhado de um prédio público…

A Praça del Poble, encanta porque tem uma vista incrível de Andorra-a-Velha e das montanhas. Pode-se sentar em um dos bancos e observar as pessoas passando e refletindo sobre como a vida é boa. Fomos notar, mais tarde, que a praça ocupa o telhado de uma das Sedes do governo atual. Esta praça oferece vistas esplêndidas do vale e das montanhas, e é um local popular de encontros, especialmente à noite. Bem no canto da praça tem um elevador que leva as pessoas até o estacionamento abaixo (Carrer del Prat de la Creu).

Igreja de Sant Esteve, com seu ábside semicircular e sua imponente torre.

San Esteve e o seu ábside semicircular…

A Igreja San Esteve fica bem em frente à Praça e faz parte do cenário turístico. Foi construída no século XII, de origem românica, tendo sido consideravelmente modificada no século XX. Da época românica, a beleza da igreja impressiona em contraste com a montanha que fica bem atrás de sua torre, dando a impressão de que se está em alguma cena de filme. O que chama atenção mesmo é o ábside semicircular que preserva sua decoração original lombarda, a torre românica do sino. A restauração feita em 1940 pelo arquiteto modernista Josep Puig i Cadafalch concentrou-se em remodelar a parte superior da torre dos sinos e a atual entrada lateral. Na área de entorno da igreja, encontram-se inúmeros restaurantes e bares, mas daqueles que se chama popularmente de “caça-turistas”.

O parlamento antigo de Andorra.

A casa de pedra mais famosa de Andorra, a Casa de La Vall…

Bem junto ao mesmo núcleo histórico e turístico estava localizado o Parlamento antigo Casa de La Vall (casa de pedra). Um dos prédios mais importantes da cidade e do país, em função do contexto histórico e da arquitetura civil andorrana. Pagamos 5 euros e entramos para fazer uma visita que durou meia hora. Foi um verdadeiro show sobre a história do Principado de Andorra. A casa de pedra foi a antiga Sede do Conselho-Geral de Andorra e o prédio foi construído em 1580. Pertencia a uma família e, a partir de 1702, seu propósito mudou, passando a ser patrimônio público. Em 1962 passou por uma grande reforma e funcionou como Parlamento de Andorra que o usou como sua Sede até 2011. Representantes das paróquias do país também se reuniam lá. Mas, eventualmente, ocorrem algumas reuniões festivas no local. A casa é pequena, se visita o salão principal onde ocorriam as reuniões dos membros do Parlamento, funcionava o Tribunal de Justiça, onde até pouco tempo atrás se faziam o julgamento de crimes (até o momento somente uma pessoa foi condenada à morte, segundo o nosso guia, isto há muitos anos). Ainda visitamos a antiga sala do Parlamento, bem no início da história da casa, onde os membros recebiam uma capa de lã e ficavam conversando em volta de um fogão, tomando uma sopa e falando sobre assuntos de política. Foi este guia quem nos explicou em detalhes sobre a diferença do Principado de Andorra e dos demais existentes no mundo.

Co-principado: Bispo da Igreja Católica e o Presidente da França.

Mas, afinal, qual a diferença do Principado de Andorra para os demais no mundo…

Andorra é um co-principado parlamentar com o Presidente da França e o Bispo de Urgell (Catalunha, Espanha), sendo ambos co-Príncipes. Esta peculiaridade qualifica o Presidente da França como Príncipe de Andorra (embora ele não seja eleito pelo voto popular do povo andorrano). Na política, Andorra é uma democracia representativa parlamentar, em que o chefe de governo é o chefe do executivo, em um sistema multipartidário. O poder legislativo é investido no governo e no parlamento. O Parlamento de Andorra, denominado Conselho-Geral, é composto por, no mínimo, 28 e, no máximo, 42 conselheiros. Os Conselheiros têm mandato de quatro anos, e as eleições são realizadas entre 30 e 40 dias após a dissolução do Conselho-Geral anterior. Em vários quadros, e até monumentos, se vê a figura do Bispo e do Presidente da França, deixando clara a diferença deste Principado em relação aos demais no mundo.

A Central de Informações Turísticas é um modelo…

Não existe atividade turística sem informação, então, se não tiver mapas, folhetos, agências receptivas, guias turísticos bilíngues, atendentes preparados para atender o público, todo o sistema vai por “água abaixo”. Encontramos um Centro de Informações extremamente bem preparado e soubemos que a temporada de verão estava começando justamente no outro dia da nossa visita (01 de junho e iria até final de outubro). Todos os passeios com guias especializados estariam disponíveis. A senhora que nos atendeu ofereceu um passeio por Ordine e sua Rota de Ferro, mas teríamos que acordar bem cedo. Desistimos, justamente por isso. Foi lá que descobrimos que Andorra tem o maior número de turistas per capita do mundo. Com mais de 10 milhões de turistas por ano e uma população de cerca de apenas 78.000 habitantes. Entretanto, a grande maioria dos visitantes de Andorra são cidadãos espanhóis e franceses que vão lá para comprar combustíveis e cigarros a preços mais baixos.

A Oficina de Turisme da Plaza de la Rotonda, fachada moderna com superfícies de vidro e painéis estilosos.

E no meio da cidade tinha uma obra de Salvador Dalí…

Bem na frente do Centro de Informações Turísticas se encontra a escultura de Salvador Dalí, chamada Noblesse du Temples (Nobreza do Tempo), localizado na Plaza de la Rotonda Andorra la Vella. Foi doada ao governo andorrano por Enric Sabater, que foi seu agente e colaborador de 1968 e 1982. A deslumbrante escultura de cinco metros de altura é toda de bronze e é uma das séries de esculturas de relógios derretidas que foi criada por Dalí para simbolizar a passagem do tempo. O relógio de derretimento suave é colocado em volta de um tronco de árvore, no topo da face do relógio está uma coroa, simbolizando a figura do tempo sobre a humanidade.

Noblesse du Temples foi criada por Dalí para simbolizar a passagem do tempo.

A cenográfica Ponte de Paris

Bem atrás do monumento do relógio tem a Ponte de Paris, com a escrita em letras garrafais: “Andorra La Vella” como paisagem de fundo.

Esse é o ponto mais fotografado da cidade: Ponte de Paris.

O lugar mais legal para tirar foto não é a escultura de Salvador Dalí, mas sim a Ponte de Paris (concluída em 2006), contendo o nome da cidade. Vale esperar um bom tempo para tirar uma foto, haja vista que é o ponto turístico mais valorizado para registrar a cidade. Além de ser muito bonita, é uma ponte com um visual arquitetônico interessante e com sistema de ventilação que atravessa o Gran Valira, o maior rio de Andorra.

Fomos atrás da Paella e encontramos o Arroz de Montanha…

Queríamos almoçar a famosa Paella espanhola com frutos do mar, e nos indicaram o restaurante mais famoso da cidade, o Don Dennis. Atravessamos toda a Avenida Carlemany (rua comercial da cidade) e encontramos o tal restaurante, que estava lotado. Nas paredes, fotos e mais fotos de celebridades. Pensamos naquela velha teoria, na simplicidade é que se tem os melhores sabores e decidimos procurar um restaurante mais regional, com menos frescura. Quando saímos, os garçons acharam que estávamos achando o lugar caro, mas, pelo contrário, os preços eram bem razoáveis, o que assustou mesmo foi o ar de “caça-turista”. Fomos parar, por acaso, em um lugar que queríamos comer no Restaurant Tic-Tapa (Passeig Ma Font Caminal, Loc 1), bem próximo ao Don Dennis.  

Sentamos à mesa, logo veio a garçonete com espanhol catalão, fácil de entender, quase um português, e oferece: “vocês não querem provar um Arroz de Montanha?” No mesmo momento, resolvemos apostar na ideia, e, quase meia hora depois, apareceu uma panela escura fumegando com um arroz negro, um molho escuro e vários ingredientes inclusos. Comemos o tal prato acompanhado de um vinho verde da região (pensei que os vinhos verdes fossem somente de Portugal). Não sei como é a receita tradicional, mas o nosso prato era parecido com uma paella com carne de coelho, linguiça e caracol em casca. Preguntamos à garçonete que ingrediente era aquele “caracol” e ela prontamente respondeu “los caracoles se cosechan en la hierba de la montaña, después de la lluvia”. Ou seja, são recolhidos na montanha, junto à grama, após a chuva. Junto com os talheres, vem até um um palito para comer o tal caracol. De sobremesa, comemos um flan de leite (tamanho gigante) e saímos dali rolando!!

Vocês não querem provar um Arroz de Montanha?

A Cozinha de Montanha…

Somente para lembrar que a Cozinha de Montanha é o nome da gastronomia de Andorra, baseado em cogumelos, a truta de rio, o trinxat de montanha (feito com batatas, couve verde, toucinho e alho). Tem a famosa cozinha de “bordas”, que são antigos celeiros e estábulos, hoje transformados em restaurantes de cozinha regional. Todos possuem uma decoração muito característica.

E os vinhos de Montanha…

Queríamos conhecer uma vinícola, mas a temporada de visitas iria abrir ainda naquela próxima semana. Os vinhos mais famosos são: Cim del Cel, Escol, Casa Auvinyá e Celler Mas Berenguer.

E a cerveja, será que também é de Montanha?

Sim, a mais famosa é a cerveja Alpha, muito gostosa por sinal, vendida em barril. Provamos em um pub, mas nada de especial, em comparação com as inglesas ou irlandesas.

Respirar o ar das montanhas…

O dia estava agradável, andamos na beira do rio Gran Valira, atravessamos uma ponte e ficamos deitados na grama (devia ser o efeito do Arroz de Montanha e seus caracóis hehehe). A grama era muito verde e o contraste com o verde mais claro das árvores, o céu azul e o cinza azulado das montanhas, dava uma sensação de muita paz.

E no meio da cidade tem elevadores públicos…

Descobrimos que tem elevadores públicos que ligam a cidade alta à parte baixa. O primeiro que encontramos foi o que ligava o estacionamento da Carrer del Prat de la Creu até a Praça del Poble. Como se diz no Brasil, foi “uma mão na roda”, pois evitava uma subida íngreme até o hotel. Não ficamos sabendo quantos daqueles tinham espalhados pela cidade, somente que este seria o principal.

Bateu a fome e caímos numa armadilha de turista…

Saímos na noite e bem pertinho do hotel, na Praça Guillemo 1, paramos no “Bon Dia Cafe Tematic”. Gentilmente, um garçom “saltou” na calçada (“figura” no cenário turístico que surge quando você está com fome). Com a maior simpatia do mundo, o garçom nos convidou para entrar no tal bar. Prontamente, ele nos ofereceu uma mesa. Com um sorriso falso nos lábios já veio com a solução rápida para a nossa fome, ou seja, “uma jarra de cerveja preta e vários tipos de tapas”. Frituras e mais frituras (um bolinho de peixe e uma fritada de calamares) e, para finalizar, comemos um tal “Formatge Manxec”, um pão meio amolecido (velho) com um molho de tomate e alguns queijos fatiados. Tudo por 20 euros foi caro, pela bela “porcaria” que comemos, que, com certeza, dormimos estufados com tanta fritura e carboidrato. O bom dessa história foi que ele nos conquistou com um pedaço de tortilla de batatas, bem fininha e muito saborosa. No final, nos deu um tchau: “voltem amanhã” tem uma tortilla de batata esperando por vocês. Bye”.

E o sol ficou pequeno atrás dos Pireneus.

O Sol das montanhas é mais verde…

No terceiro dia, abrimos a janela do quarto e o sol tomou conta dos nossos rostos. Era o sol das montanhas. Uma preguiça tomou conta do corpo, o ar da montanha, com 1023 metros acima do nível do mar, deixa a gente mais cansado e com muito sono. Após o café, começamos a jornada do dia. O meu tênis deu problema e meu pé também. O tênis era novo, mas um pé era maior do que o outro e, para completar, meu dedo do pé tinha criado uma bolha. Já que era o paraíso de compras fomos atrás de um tênis BBB – Bom, Bonito e Barato. Mas o susto foi grande, nos melhores shoppings da cidade, não tinha como reduzir de 50 euros. Andorra oferece a menor taxa global de impostos no mundo. Não há impostos sobre riqueza. Não há imposto sobre herança. Os impostos sobre vendas são muito baixos em torno de 4%. Não há impostos sobre ganhos de capital.  Então, não entendemos, já que os preços eram mais caros do que os praticados na Inglaterra. Acabamos achando uma loja que nos vendeu um tênis por 13 euros, não tinha grife, mas era de boa qualidade. Fomos saber de onde era a origem e, para a nossa surpresa, na caixa estava escrito “Islândia”. Vai saber né, como ocorrem as vias comerciais internacionais.

Dentes-de-leão espalhados por todo o gramado.

E havia pequenos flocos de algodão que vinham dos céus…

Já no primeiro dia detectamos que no ar existia uma espécie de penugem voando, pareciam pequenos flocos em forma de algodão. Depois, pela quantidade e pela cor branca, pensávamos que se tratava de penugem de aves, uma vez que a quantidade de pássaros que circulava pelos ares era impressionante. Olhando para o céu, os flocos continuavam a cair e a curiosidade também, se não era pena de pássaro, afinal o que era? Peguei uma amostra na mão e parecia um algodão. Entramos em uma farmácia para comprar um medicamento e perguntamos para a atendente: “afinal, o que está caindo do céu?” E a mesma respondeu: “são as brumas das flores da montanha, que, com o vento, caem pela cidade”. Aí entendi porque estava com a rinite alérgica, primavera em alta, mal conseguia respirar, eram as flores da primavera. A moça da farmácia me indicou um remédio e foi “tiro e queda”, comecei a melhorar as vias respiratórias. Com os tênis em dia e a respiração também seguimos adiante para visitar o restante da cidade.

Quando além das montanhas, os prédios também são perfeitos.

A cidade de Andorra-a-Velha valoriza a arte de rua…

Fomos em direção à Av. Carlemany (principal rua comercial da cidade), passamos por inúmeros shoppings até chegar no Hotel Spa Termes Carlemany. Achávamos que teríamos acesso às águas termais, mas somente vimos uma ponte com uma vista diferente do Rio Valira (uma correnteza que desce forte das montanhas). A avenida comercial vai até o Hotel Termas Carlemany, é extensa, com uma subida íngreme, mas de fácil caminhada. Não somente o hotel de pedras faz parte deste complexo turístico, mas outros do mesmo tipo de casario, somente com as fachadas diferenciadas. Tiramos fotos da Casa La Cruz, Centre d’Art d’Escaldes-Engordany, Museu Carmem Thyssen Andorra. Entramos na igreja Sant Pere Mártir, simples por fora, mas excepcional por dentro. Entramos em uma galeria de arte chamada “Artalroc Ramon”, um espaço cultural às margens do Rio Valira, mas com uma vista magnífica e grandes janelas envidraçadas.

As águas das montanhas…

Foi dali que observamos as fontes de água quente que vem da Fonte del Roc del Metge. Bem em frente a esse prédio tinha uma fonte termal bem antiga, não apropriada para banho, mas somente para beber. Eram 2 torneiras, uma de água fria e a outra de quente (cheirava a enxofre). A de água fria era potável e vimos várias pessoas enchendo as suas garrafinhas de água. Aliás, em toda a Andorra se pode tomar água das torneiras, pois são naturais, com gosto de água “de verdade”. Tem diversas fontes de águas termais espalhadas por todo o país, principalmente nas praças.

Ao andar por este bairro, percebemos vários painéis de rua, pinturas nas fachadas dos prédios com vários tipos de simbolismos, semelhantes às cidades europeias de Bruxelas e Belfast, anteriormente visitadas. A água termal é um dos recursos naturais mais apreciados no Principado de Andorra. Existem mais de 35 nascentes naturais no país. Estas águas minerais fluem até a superfície em altas temperaturas, ricas em propriedades medicinais. Atingindo temperaturas de até 70°C, estas estão entre as nascentes mais quentes da região dos Pireneus. Contendo sódio e enxofre, juntamente com outros minerais, e enriquecida com plâncton termal, a água tem efeitos analgésicos, cicatrizantes, descongestionantes e antialérgicas.

A Paella também pode ser feita com arroz negro.

Finalmente provamos a Paella e a Tortilla de Batatas no mesmo lugar…

Muitos, quando pensam em Paella, pensam em arroz amarelo com uma mistura de frutos do mar e até pedaços de frango. A paella é um prato que é servido em toda a Espanha e, também, em toda a Andorra. É um prato feito geralmente com arroz de grão curto (comumente cultivado na província de Valência) e amarelo colorido (e cozido) com açafrão, um tempero que se origina de Castilla la Mancha. Os principais tipos de paella espanhola são a Valenciana, a Mista, a Vegetariana e a Negra. A Valenciana, além do arroz, vai frango e carne de porco. Muitos nativos incluem coelho, mas alguns restaurantes não o incluem porque sabem que diversos turistas não estão familiarizados com este animal. A Mista é uma mistura da paella Valenciana e a paella de Marisco. Contém carne, frango e frutos do mar. A de Marisco é a que contém frutos do mar e não contém carne. Geralmente, contém camarões, mexilhões, calamares, mariscos e outros frutos do mar. A Vegetariana contém uma variedade de vegetais como alcachofra, pimentão vermelho e verde, além de feijão e arroz, mas não inclui carne ou frutos do mar. E a Negra é cozida com tinta de lula e arroz negro, também incluindo alguns frutos do mar. Encontramos, ainda, o tal Fideguay ou Fideuá, que em vez de arroz era servido com massa.

Já a famosa Tortilla española igualmente é servida em todo o país, mas também é uma receita espanhola, sendo nada mais do que ovo, batata e cebola cozidos em azeite. Nossa aventura gastronômica foi na Taverna Tomaquet, localizada na Av Carlemany. Na ida, tínhamos parado neste restaurante estilo pub e sido bem recebidos e, na volta, fomos almoçar por ali. Pedimos uma Tortilla española de entrada e, como prato principal, uma Paella de Arroz Negro acompanhada de um vinho andorrano de 2016. A sobremesa, um sorvete de frutas dos deuses, e pagamos por tudo 32 euros, super bem atendidos. Valeu, gratidão!

O Caldea é o maior SPA termal do sul da Europa.

E tinha uma torre de vidro bem no meio da cidade e era verde porque refletia o verde das montanhas…

O Caldea é o maior SPA termal do sul da Europa. O prédio se assemelha a uma montanha congelada, mas todo envidraçado, que, se olhado junto às montanhas, dá um contraste formidável, como se fosse o famoso telhado do filme “Casa de Vidro”. O Caldea foi inaugurado em 1994 e projetado para permitir aos visitantes escapar e desfrutar de uma experiência de bem-estar em águas termais cheias de contrastes. O prédio tem uma arquitetura única, está situado no meio urbano entre Andorra-a-Velha e a cidade de Escaldes-Engordany (não tem zona limítrofe, é tudo muito perto). O arquiteto francês Jean-Michel Ruols, conhecido como “arquiteto da água”, projetou o prédio de vidro do Caldea como um “mineral cristalino no meio das montanhas” e é essa a impressão que se tem ao olhar para o prédio. A construção possui linhas retas e verticais que se alinham ao ambiente montanhoso de Andorra. Não entramos no prédio, mas ficamos com vontade de conhecer as águas termais do SPA, cuja superfície é de 70ºC. As suas águas termais têm propriedades ricas em sulfetos e minerais, além de plâncton salino e oleoso como o plâncton termal (ficamos curiosos para saber que plâncton é este!!). Para passar o dia custa na média de 58 euros por pessoa, mas tínhamos muitos passeios pela frente.

Presenciamos uma cena inusitada…

Era hora de “dar um jeito na vida” e resolvemos pegar um ônibus para ver a Igreja Meritxell, encravada nas montanhas, indo em direção à cidade de Canillo, fronteira com a França. Bem na parada do ônibus (quase em frente ao prédio chique do SPA) deu um “fuzuê” estranho, a polícia (de moto) interceptou uma linha de ônibus normal e todos os passageiros tiveram que descer. O motorista teve que apresentar os documentos e não saiu do local, ligava a todo o momento de seu celular (a impressão que se tinha é que o sistema de transporte ainda era experimental, apesar de o país receber mais de 10 milhões de turistas por ano e ter 100% de canalização de fibra ótica). Saímos da parada, o motorista estava “se explicando para os guardas” e o povo que saiu do ônibus estava esperando por outro. Chegamos à conclusão que nada é cem por cento perfeito.

Nem tudo era primeiro mundo…

Meritxell, uma igreja de montanha…

Pegamos outro ônibus e pagamos 13,50 euros por 10 viagens, ou seja 1,35 euros cada trecho. Fomos até o terminal rodoviário (o mesmo que chegamos à cidade) e pegamos um ônibus que não era da mesma empresa (foi o primeiro que passou para Canillo). Para chegar à Igreja Meritxell era necessário ficar em uma parada no meio da estrada (descobrimos isso depois!!). O ônibus nos deixou no meio da estrada e para chegar até a Igreja de Meritxell tivemos que caminhar uns 500 metros estrada cima.

A subida não foi cansativa, devido à paisagem e, também, porque descobrimos que tinha várias pessoas que moravam no lugar, os prédios de pedras eram residências de andorranos mais abastados. A Igreja é católica e diz a história que no século XII, os moradores locais estavam a caminho da missa em Canillo, quando avistaram uma rosa crescendo do lado da colina. Obviamente, aquela não era a época do ano para as rosas florescerem. Quando se aproximaram da roseira, viram uma estátua da Virgem Maria segurando o menino Jesus. Eles levaram a estátua para a igreja em Canillo e a colocaram no altar.

A Igreja de Meritxell onde se fica mais perto de Deus.

No dia seguinte, quando a igreja foi aberta, eles não conseguiram encontrar a estátua, e temeram que ela tivesse sido roubada, até que alguém apareceu e disse a eles que tinham visto a estátua na encosta onde foi encontrada originalmente. Desta vez eles a trouxeram para a igreja em Encamp, mas, mais uma vez, foi dada como desaparecida, tendo sido encontrada novamente sob a roseira onde havia sido primeiramente avistada. Depois disso, os aldeões construíram uma nova capela em Canillo e colocaram a estátua lá, local onde está atualmente a Igreja de Meritxell. Em 1992, o Santuário original foi destruído pelo fogo e a estátua também. O Santuário foi reconstruído e contém uma réplica da estátua. A igreja impressiona pela sua beleza arquitetônica e de lá se tem a impressão de estar mais perto de Deus. A Igreja tem uma arquitetura moderna e bem próximo tem uma vila turística com hotel e lanchonete. O difícil foi no retorno, descemos toda a “lomba” e, para pegar o outro ônibus, tivemos que fazer uma “ginástica” porque a parada ficava em uma rótula, no mesmo lugar que o ônibus tinha nos deixado; só que, para voltar para Andorra-a-Velha tínhamos que sinalizar para o ônibus que vinha de Canillo (sentido contrário da pista). Ficamos muito tempo na parada, até que passou um morador e nos avisou que teríamos que fazer sinal no meio da rótula para parar os ônibus. Fizemos um teste, paramos um ônibus em sentido contrário e o motorista de ônibus nos disse: “façam sinal com as mãos que quem vem do outro lado enxerga, faz a volta na rótula e pega vocês”. Foi uma luta porque tivemos que fazer um verdadeiro “escândalo” no meio da tal de rótula para que um motorista nos visse. Depois de quase uma hora de espera, um ônibus nos recolheu e nos deixou em Andorra-a-Velha e, na mesma hora, pegamos a linha 1 e fomos em direção à Sant Julia de Loria para visitar o Santuário de Canolich. Só que não encontramos a parada de ônibus correta. Naquelas alturas do campeonato queríamos mesmo era passear de ônibus, pois os “pés” já estavam cansados. Sant Julia de Loria é bem comercial, visitamos a igreja principal da cidade e vimos o prédio da prefeitura, de pedra e bem estiloso. Tomamos uma cerveja Estrella de barril, na cafeteria “Art Ipa”, e comemos um pastel de nata (doce português) melhor do que os de Portugal. Deu para perceber que tem um bom número de portugueses em Andorra.

Ordino, a região da natureza bela e dos esportes ao ar livre.

E a melhor parte de Andorra é Ordino…

Nosso quarto dia amanheceu quente, uns 30 graus. Era até engraçado, bem ao alto dos Alpes Pireneus tinha uma pontinha de neve, mas o sol era espetacular. Ficamos sabendo que os esquiadores gostam de esquiar em Andorra porque tem sol no inverno, o que facilita a prática do esporte. Após o café, nosso destino foi a cidade de Ordino; pegamos a linha seis e em meia hora estávamos lá. A cidade fica numa região de natureza bela, propícia para os esportes, como as caminhadas ao ar livre. Neste lugar, os esportes de aventura acontecem o ano inteiro, como a Tirolesa, Arvorismo e outros esportes de ar livre. A cidade era toda de pedra, uma graça, no meio das montanhas. Entramos no Museu Postal, uma casa linda, realmente maravilhosa, e tiramos muitas fotos, dali fomos na central de informações turísticas e a atendente nos indicou uma visita a uma cervejaria bem típica. Era o primeiro dia do transporte público na cidade e pegamos uma van, que custou 20 centavos de euros, e que nos deixou bem no alto da montanha (pico de neve). Curtimos o local, tiramos umas fotos e descemos até a cervejaria, mas esta estava fechada; aí subimos montanha acima e fomos num buffet por 14,90 euros e comemos muita comida andorrana; dali descemos e visitamos várias pontes, tirando fotos das paisagens das vilas que estavam bem próximas à estrada. A cervejaria ainda permanecia fechada e tivemos que esperar. Foi engraçado, porque paramos o motorista da van e ele nos disse: “ah, ainda não abriu a cervejaria, mas esperem, vai valer a pena”.

Com a água de montanha se produz uma cerveja “dos deuses”.

Com quase 40 minutos de atraso, o dono da cervejaria Boris abriu o local. O homem se chamava João e disse, em espanhol, que começou o negócio há tempos, e que, no início, ele lidava com carne, depois abriu uma hamburgueria com carne de primeira e aí surgiu a necessidade de fazer uma cervejaria para fazer parte do cardápio. Até que a linha de raciocínio do cara estava correta. Falou que o ex-sócio era um austríaco. Mal sabia ele que o motorista da van nos contou tudo sobre a história da cervejaria, inclusive da briga dos sócios. Enfim, o motorista tinha nos falado que as leis de Andorra não favorecem os estrangeiros, que nenhum negócio pode ser aberto sem um sócio andorrano. A cerveja era uma delícia e dali pegamos outra van até a central de informações turísticas e depois um ônibus para Andorra-a-Velha.

De novo, a Praça Guillemo…

O sistema dos restaurantes de Andorra segue a mesma linha da maioria das cidades da Europa, com exceção das cidades grandes. Saímos para jantar às 10 horas da noite e foi difícil achar um restaurante; acabamos em um bar na Praça Guillemo, completamente lotado. Não vale a pena citar o nome do bar, não recomendamos, pois fomos mal atendidos. Pedimos uma tortilla espanhola e uma cerveja, além de azeitonas verdes. O engraçado é que esses estabelecimentos lotam todo o final de semana, porém, o número de garçons e cozinheiros continuam os mesmos, tudo muito improvisado. Até o cozinheiro acaba atendendo as mesas, tamanho o “auê” de pessoas que frequentam esses barzinhos. Também deu para perceber que o povo de Andorra fuma muito, talvez porque seja um dos poucos países da Europa onde fumar é permitido nos estabelecimentos comerciais.

Como não querer voltar mil vezes para este país.

Domingo de despedida…

Era o nosso quinto dia, nos despedimos de Andorra e pegamos o nosso bus com teto solar. A saída do nosso hotel foi triunfal, não sabíamos que o elevador do hotel dava acesso à rua lateral, bem próxima à estação de ônibus; foi uma glória, porque caminhar pelas ruas de Andorra-a-Velha não é fácil, é um “sobe e desce” que não acaba mais. Antes de embarcar no ônibus vimos uma corrida de moradores locais em volta do Rio Valira, tinha até uma “mãe correndo, empurrando um carrinho de bebê”, mulheres em grupo fantasiadas, uma verdadeira festa. No nosso retorno, de novo o ônibus passou pela Aduana, só que, desta vez, os policiais revistaram as bagagens do ônibus. Nada de anormal, seguimos viagem.

Ficamos com a sensação de que o país merecia mais tempo, nos arrependemos de conjugar essa viagem com Barcelona. Aliás, fica a dica, se você escolhe um destino, aproveite seus dias com o destino escolhido. Não tem porque misturar países ou cidades diferentes, é necessário “não ter pressa para degustar certos prazeres na vida, e um deles é uma viagem”. Enfim, 3 horas depois estávamos chegando em Barcelona.

O título do post representado nesta foto: Pireneus, entre a Espanha e a França.

Dicas especiais de Andorra

Queremos voltar no inverno, pois o país tem duas principais áreas de esqui, Grandvalira e Vallnord. A área de Grandvalira contém os resorts interligados de Soldeu e El Tartar e o animado Pas de la Casa. Uma grande vantagem de se hospedar no Grandvalira é que todos eles estão interligados por meio de um eficiente sistema de elevação, oferecendo 193 km de pistas na área de levantamento total. O Pas de le Casa é um resort animado, adequado para os esquiadores mais jovens que procuram animada vida noturna com grupos de amigos. A área total de esqui de Vallnord é de 93 km. Seus resorts são Pals e Arinsal (interligados), oferecendo uma gama de esqui para iniciantes e entusiastas, e Arcalis, que tem uma grande área livre de passeio, sendo adequado ao nível intermediário e a entusiastas de fora de pista.

Também queremos praticar caminhadas, as temperaturas no verão raramente ficam acima da faixa de 28 a 32 graus. O país tem uma variedade de parques nacionais e numerosos caminhos de trekking, através de belas paisagens montanhosas. A indústria do turismo de montanha é surpreendente com uma variedade de empresas que oferecem de tudo, desde passeios guiados e escoltados pela natureza, até passeios de quadriciclo e helicóptero.

A comida é relativamente barata em comparação a Barcelona, por exemplo. Come-se muito bem, pagando na média de 32 euros uma refeição com uma garrafa de vinho para um casal. Há uma grande variedade de restaurantes e bares de qualidade.

O bom de comprar na cidade são os perfumes, pois tem as melhores grifes do mundo. A quota aduaneira é de 900 euros. Não há como comprar além disso, porque tem fiscalização rígida na fronteira.

Sites úteis de Andorra

visitandorra.com

ordino.ad

encamp.ad

andorralavella.ad

museudelperfum.ad

agricultura.ad

cervesaalpha.com

casabeal.com

bordasabate.com

casaauvinya.ad

museus.ad

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